Leis do ser humano interior e do ser humano exterior


  1. Os mandamentos, as palavras e o ensinamento de Deus, dizem respeito ao ser humano interior e à sua união com Deus.
  2. Quando esta união se produz, o ser humano exterior é tão bem guiado e ensinado pelo ser humano interior que ele não tem mais necessidade de nenhum mandamento ou ensinamento exteriores.
  3. Inversamente, os mandamentos e as leis dos seres humanos dizem respeito ao ser humano exterior.
  4. Eles são necessários quando não se conhece nada de melhor. Sem eles, não se saberia o que se deve fazer ou não fazer, e ser-se-ia como os cães ou como o gado.

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Livro da Vida Perfeita – Quatro tipos de seres humanos


  1. «Deus está para além de toda a regra, de toda a medida e de toda a ordem.»
  2. «É Ele que dá a todas as coisas regra, ordem, medida e sabedoria.»
  3. Diz-se, e é a verdade. É preciso compreendê-lo assim:
  4. Deus quer que tudo isso seja – ordem, medida, etc. –, mas não o pode ter Ele próprio, sem criatura. Porque, em Deus, sem criatura, não há nem ordem nem desordem, nem regra nem desregramento, etc.
  5. Deus quer que tudo isso seja para que essas coisas existam e se produzam. Lá onde existem palavras, ações e relações, elas devem necessariamente produzir-se quer na ordem, na regra, na medida e na sabedoria, quer na desordem. Ora a ordem e a sabedoria são melhores e mais nobres que o contrário.
  6. Deve-se observar no entanto que os seres humanos que se ocupam da ordem, das leis e das regras são de quatro tipos:
  7. – Alguns não o fazem nem por Deus, nem por isto ou por aquilo, mas apenas por constrangimento: eles fazem-no o menos possível, e ainda assim é-lhes penoso e difícil.
  8. – Outros fazem-no por uma recompensa: são seres humanos que não conhecem mais nada e imaginam que não há melhor meio para atingir e merecer o Reino celeste e a vida eterna. Para eles, aquele que se adstringe rigorosamente a essas regras é um santo; aquele que não é atento a elas e as negligencia está perdido e pertence ao diabo. Eles prendem-se a elas portanto com grande zelo e um grande ardor, mesmo se eles acham que fazer isso é penoso.
  9. – Os terceiros são os espíritos maus e falsos que crêem ser prefeitos: eles declaram que não têm necessidade dessas coisas e troçam delas.
  10. – Os quartos são os seres humanos iluminados pela verdadeira luz. Eles não se prendem a essas regras para uma recompensa: eles não querem aí ganhar nenhuma vantagem e não querem aí atingir nada. Eles agem apenas por amor. Eles não se preocupam muito em fazer com eficácia, com rapidez, etc., mas apenas em fazer bem, na paz e na serenidade.
  11. Se lhes acontece o negligenciarem qualquer coisa, eles não se crêem perdidos por causa disso.
  12. Eles sabem bem que a ordem e a sabedoria são melhores e mais nobres que a desordem, e é por isso que eles se atêm a elas.
  13. Mas eles sabem também que a Felicidade não depende disso, e é por isso que eles não se preocupam tanto com isso como os outros.
  14. São esses seres humanos que são criticados e condenados pelos outros seres humanos.
  15. Os mercenários dizem: «São uns negligentes» ou ainda: «Eles vivem na injustiça», etc.
  16. Os outros – aqueles que têm um espírito «livre» – troçam deles: «São uns espíritos grosseiros», «São uns insensatos», etc.
  17. Eles atêm-se assim ao melhor, que é o Melhor.
  18. Porque aquele que ama verdadeiramente Deus é melhor e mais amado por Deus que cem mil mercenários.
  19. Passasse o mesmo com as suas ações.

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Livro da Vida Perfeita – Não esperar recompensas


  1. «Se o ser humano não consegue obter nada de útil ao seguir a vida de Cristo, o que é que o retêm de a descartar?» Responde-se aqui à questão que foi colocada mais acima (ver A natureza e a graça).
  2. Não se segue a vida de Cristo para atingir um fim, nem para obter qualquer coisa de útil, mas por amor à nobreza, e porque ela é amada e apreciada por Deus.
  3. Aquele que diz ou pensa que não precisa mais dela ou que pode abandoná-la, nunca a saboreou nem a conheceu. Porque, quando ela foi verdadeiramente encontrada e saboreada, não se pode mais abandoná-la.
  4. Aquele que segue a vida de Cristo para atingir ou merecer uma recompensa, age como um mercenário e não por amor.
  5. Ele não a seguiu mesmo de todo: porque aquele que não a segue por amor, não a pode seguir.
  6. Ele pode imaginar que a segue, mas ele engana-se.
  7. Cristo viveu a sua vida por amor, e não para uma recompensa.
  8. O amor torna a vida leve e sem preocupações. Ele faz amá-la e suportá-la voluntariamente. Mas aquele que não a vive por amor, mas crê vivê-la para uma recompensa, ele encontra-a pesada e deseja desembaraçar-se dela.
  9. É próprio de todos os mercenários o desejarem o fim do seu trabalho. Mas aquele que ama verdadeiramente não é oprimido nem pelo trabalho, nem pelo tempo, nem pelo sofrimento.
  10. É por isso que está escrito: «Servir Deus, e viver para Ele, é fácil para quem O serve e vive para Ele.»
  11. Isto é verdadeiro para aquele que age por amor, mas aquele que age para uma recompensa considera isto difícil.
  12. Passa-se o mesmo com todas as virtudes, com todas as boas ações, mas também com as regras, as convenções, etc.

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