Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 47



Um ligeiro ensinamento desta obra sobre a pureza do coração, declarando como é que uma alma elevará o seu desejo a Deus duma maneira, e vós, pelo contrário, duma outra maneira aos seres humanos.
  1. Procura não teres surpresa nenhuma porque eu falei assim infantilmente e como que loucamente e abandonando a natural discrição, porque eu o fiz devido a certas razões, e a isso eu me senti levado, depois de muitos dias, me parece, por ti agora e igualmente por alguns outros dos meus amigos particulares em Deus, que da mesma forma sentem assim, pensam assim e falam assim.
  2. E eis uma das razões porque é que eu te disse e pedi para esconderes de Deus o teu desejo. É porque eu creio que ele chegará mais claramente ao Seu conhecimento, para teu proveito e para a realização do teu voto, com essa ocultação acima dita, do que por alguma demonstração que eu penso que tu possas fazer prova e dar. Depois, uma outra razão é que eu queria, com uma demonstração igualmente oculta, te tirar fora das brutalidades grosseiras do sentimento corporal para te levar à pureza e à profundidade do sentimento espiritual; e assim, por conseguinte e por fim, te ajudar a atar o nó espiritual do amor ardente entre ti e o teu Deus, na união espiritual e na conformidade da vontade.
  3. Isso, tu o conheces perfeitamente: que Deus é um Espírito; e a qualquer um que chegue a estar unido com Ele, acontecerá que será na verdadeira realidade e na profundidade do espírito, longe de todas as aparências ou imaginações corporais. A coisa segura, é que todas as coisas são conhecidas por Deus e que nada pode ser escondido do Seu conhecimento, quer as coisas corporais quer as coisas espirituais. Mas uma coisa tanto mais Lhe é manifestamente mostrada e conhecida, quanto mais ela é escondida nas profundezas do espírito; visto que Ele é Espírito, ela lhe é muito mais aberta do que qualquer outra coisa que de outra forma esteja misturada e enterrada em qualquer elemento corporal qual quer que ele seja. Porque todas as coisas corporais estão mais afastadas de Deus, segundo o curso natural das coisas, do que a coisa espiritual qualquer que ela seja. Por essa razão, acontece que enquanto o nosso desejo permanecer misturado com qualquer matéria corporal – como acontece quando nós nos tendemos com todo o nosso esforço de espírito e de corpo – acontece igualmente que ele está mais longe de Deus, e muito mais longe do que se ele viesse, devido a mais devoção e a mais inclinação, até à sobriedade, à pureza e à profundidade do espírito.
  4. E aqui tu podes ver e compreender qualquer coisa, em parte, da razão porque eu te pedi infantilmente que cobrisses e escondesses de Deus o movimento do teu desejo. Mas então, eu não te pedi para o esconderes todo completamente, o que seria pedir uma coisa louca e completamente impossível e seria o pedido de um louco. O que eu te peço, é que faças em ti esse movimento de o esconderes. E porque te pedi eu? Seguramente porque eu queria que tu o gerasses na profundeza do teu espírito, longe de toda a rudeza e grosseria de qualquer mistura corporal, a qual o faria muito menos espiritual, e muito mais afastado de Deus; mais ainda porque eu sei e conheço perfeitamente que quanto mais o teu espírito tem de espiritualidade, menos também ele tem de corporal, e portanto mais próximo ele está de Deus, mais ele Lhe agrada e mais claramente pode ele ser visto por Ele. Não que o Seu olhar possa alguma vez ser mais claro sobre uma coisa do que sobre uma outra, nem em um momento mais do que em um outro, porque Ele é eternamente imutável; mas porque tu Lhe comprazes mais assim na profundidade e pureza do espírito, porque Ele é um Espírito.
  5. E ainda uma outra razão porque eu te disse para fazeres em ti com que Ele não conheça o teu desejo, é que tu, e eu próprio e todos tal como nós somos, nós somos muito capazes de compreender e conceber corporalmente uma coisa que é dita espiritualmente, por forma a que talvez, se eu te tivesse pedido para mostrares e manifestares o movimento do teu coração a Deus, talvez tivesses tu querido Lhe dar uma demonstração corporal, quer em gesto ou em voz ou em palavra ou em qualquer outra expressão corporal grosseira, assim como acontece quando tu queres mostrar a um outro ser humano uma coisa que está escondida no teu coração; e assim a tua obra teria sido impura. Porque, é de uma maneira que uma coisa deve ser mostrada a um ser humano; e de uma outra maneira, a Deus.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 46



Um bom ensinamento sobre como o ser humano deve fugir dessas ilusões, e como ele deve trabalhar mais por uma inclinação do espírito do que pela violência e a rudeza feitas ao corpo.
  1. E é por isso, pelo amor de Deus, que tu sê prudente nesta obra, e não maltrates demasiado rudemente nem para além da medida o teu coração no teu peito: mas trabalha mais por inclinação e com o desejo em vez de com qualquer inútil força e violência. Porque quanto mais tiveres de inclinação, mais humilde tu serás e mais espiritual; e quanto mais tiveres de rudeza, mais tu serás corporal e bestial. Portanto sê prudente, porque certamente aquele coração bestial, que pretender atingir a alta montanha desta obra, ele será rejeitado às pedradas. As pedras são duras e secas, em si próprias, e elas ferem muito dolorosamente onde elas batem. E tais também são as rudezas do constrangimento: duras seguramente quando elas estão ligadas ao sentimento da carne e do corpo, e secas inteiramente de todo o conhecimento da graça; e elas ferem muito dolorosamente a alma imprudente e a envenenam com os simulacros imaginários dos demónios. Também portanto sê prudente com essa bestial rudeza, e aprende a amar por desejo, com um comportamento modesto e suave tanto do corpo como da alma; recebe com civilidade e aceita humildemente a vontade de nosso Senhor, e não te lances por cima, tal como o galgo voraz, tão cruel quanto seja a tua fome. E se pudermos falar como que a jogar: o que eu te aconselho, é fazeres em ti de forma que, refreando o impetuoso e violento movimento do teu espírito, sejas como se tu não quisesses por nenhum preço que Ele soubesse alguma vez quanto apressado está o teu desejo de O ver, de O possuir ou de ter sentimento d'Ele.
  2. Estamos aqui a falar infantilmente e à maneira de jogo, pensas tu talvez? Mas eu estou bem persuadido que quem tiver a graça de fazer como eu disse, e tiver essa experiência, ele terá o sentimento de jogar alegremente um feliz jogo com Ele, como o pai faz com a sua criança ao abraçá-la e ao apertá-la contra si, com isso ele ficará muito satisfeito também.


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Nuvem de Desconhecimento – Introdução


  1. Encontram-se no Pentateuco diversas manifestações da presença divina: a coluna de nuvem e a coluna de fogo (tradição javista); a "nuvem escura" e a nuvem (tradição eloísta); finalmente, associada com a nuvem, a "glória" de Iahweh (Ex 24, 16 +), fogo devorador que se move como o próprio Iahweh (tradição sacerdotal; comp. Ex 19, 16s +). Noções, ou imagens, das quais a teologia mística fez grande uso.
  2. Êxodo 13:
    «21. E Iahweh ia diante deles, de dia numa coluna de nuvem, para lhes mostrar o caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. 22. Nunca se retirou de diante do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo, durante a noite.»
  3. Êxodo 16:
    «10. Ora, quando Aarão falava a toda a comunidade dos filhos de Israel, olharam para o deserto, e eis que a glória de Iahweh apareceu na nuvem.»
  4. Êxodo 19:
    «Preparação da Aliança – 9. Iahweh disse a Moisés: "Eis que virei a ti na escuridão de uma nuvem, para que o povo oiça quando eu falar contigo, e para que também creiam sempre em ti." E Moisés relatou a Iahweh as palavras do povo.»

    «A teofania – 16. Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha, e um clamor muito forte de trombeta; e o povo que estava no acampamento pôs-se a tremer. 17. Moisés fez o povo sair do acampamento ao encontro de Deus, e puseram-se ao pé da montanha. 18. Toda a montanha do Sinai fumegava, porque Iahweh descera sobre ela no fogo; a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia violentamente. 19. O som da trombeta ia aumentando pouco a pouco; Moisés falava e Deus lhe respondia no trovão. 20. Iahweh desceu sobre a montanha do Sinai, no cimo da montanha. Iahweh chamou Moisés para o cimo da montanha, e Moisés subiu.»
  5. Êxodo 24:
    «15. Depois, Moisés subiu à montanha. A nuvem cobriu a montanha. 16. A glória de Iahweh pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu durante seis dias. No sétimo dia, Iahweh chamou Moisés do meio da nuvem. 17. O aspeto da glória de Iahweh era, aos olhos dos filhos de Israel, como um fogo consumidor no cimo da montanha. 18. Moisés, entrando no meio da nuvem, subiu à montanha. E Moisés permaneceu na montanha quarenta dias e quarenta noites.»
  6. Êxodo 33:
    «A Tenda – 7. Moisés tomou a Tenda e a armou para ele, fora do acampamento, longe do acampamento. Havia-lhe dado o nome de Tenda da Reunião. Quem quisesse interrogar a Iahweh ia até à Tenda da Reunião, que estava fora do acampamento. 8. Quando Moisés se dirigia para a Tenda, todo o povo se levantava, cada um permanecia de pé, na entrada da sua tenda, e seguia Moisés com o olhar, até que ele entrasse na Tenda. 9. E acontecia que quando Moisés entrava na Tenda, baixava uma coluna de nuvem, parava à entrada da Tenda, e Ele falava com Moisés. 10. Quando o povo via a coluna de nuvem parada à entrada da Tenda, todo o povo se levantava e cada um se prosternava à porta da sua própria tenda. 11. Iahweh, então falava com Moisés face a face, como um homem fala com o outro. Depois ele voltava para o acampamento.»
  7. Êxodo 34:
    «Renovação da Aliança. As tábuas da Lei – 1. Iahweh disse a Moisés: "Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras, sobe até mim na montanha, e eu escreverei as mesmas palavras que estavam nas primeiras tábuas, que quebraste. 2. Fica preparado de manhã; de madrugada subirás à montanha do Sinai e lá me esperarás, no cimo da montanha. 3. Ninguém subirá contigo, e não se verá ninguém em toda a montanha. Nem as ovelhas ou bois pastarão diante da montanha." 4. Moisés lavrou duas tábuas de pedra como as primeiras, levantou-se de madrugada e subiu à montanha do Sinai, como Iahweh lhe tinha ordenado, e levou nas mãos as duas tábuas de pedra. 5. Iahweh desceu na nuvem e ali esteve junto dele.»
  8. Êxodo 40:
    «Iahweh toma posse do santuário – 34. A nuvem cobriu a Tenda da Reunião, e a glória de Iahweh encheu a Habitação. 35. Moisés não pôde entrar na Tenda da Reunião porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória de Iahweh enchia a Habitação.

    A nuvem guia os filhos de Israel – 36. Em todas as etapas, quando a nuvem se levantava por cima da Habitação, os filhos de Israel punham-se em marcha. 37. Mas se a nuvem não se levantava, também eles não marchavam até que ela se levantasse. 38. Pois, de dia, a nuvem de Iahweh ficava sobre a Habitação, e de noite havia dentro dela um fogo, aos olhos de toda a casa de Israel, durante todas as suas etapas.»
  9. Levítico 16:
    «2. Iahweh disse a Moisés: Fala a Aarão teu irmão: que ele não entre em momento algum no santuário, além do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca. Poderá morrer, pois apareço sobre o propiciatório, em uma nuvem.»

    «12. Encherá então um incensório com brasas ardentes tiradas do altar, de diante de Iahweh, e tomará dois punhados de incenso aromático pulverizado. Levará tudo para trás do véu, 13. e colocará o incenso sobre o fogo, diante de Iahweh; uma nuvem de incenso recobrirá o propiciatório que está sobre o Testemunho, a fim de que não morra.»
  10. Números 9:
    «A Nuvem – 15. No dia em que foi levantada a Habitação, a Nuvem cobriu a Habitação, ou seja, a Tenda da Reunião. Desde o entardecer até à manhã, repousava sobre a Habitação com o aspeto de fogo. 16. Assim, pois, a Nuvem a cobria permanentemente, tomando o aspeto de fogo até ao amanhecer.

    17. Quando a nuvem se elevava sobre a Tenda, então os filhos de Israel se punham em marcha; no lugar onde a Nuvem parava, aí acampavam os filhos de Israel. 18. Segundo a ordem de Iahweh, acampavam. Permaneciam acampados durante todo o tempo em que a Nuvem repousava sobre a Habitação. 19. Se a nuvem permanecia muitos dias sobre a Habitação, os filhos de Israel prestavam seu culto a Iahweh e não partiam. 20. Às vezes a nuvem se detinha poucos dias sobre a Habitação, então acampavam segundo a ordem de Iahweh e também partiam segundo a ordem de Iahweh. 21. Se acontecia que a Nuvem, depois de ter permanecido desde a tarde até à manhã, elevava-se ao amanhecer, então partiam. Ora a Nuvem se elevava depois de ter permanecido um dia e uma noite, e então partiam, 22. ora a Nuvem permanecia dois dias, um mês ou um ano; enquanto a Nuvem permanecia sobre a Habitação, os filhos de Israel ficavam acampados; mas quando ela se levantava, então partiam. 23. Conforme a ordem de Iahweh acampavam e conforme a ordem de Iahweh partiam. Prestavam culto a Iahweh, segundo as ordens de Iahweh transmitidas por Moisés.»
  11. Números 10:
    «11. No segundo ano, no segundo mês, no dia vinte do mês, a Nuvem se elevou sobre a Habitação da Reunião. 12. Os filhos de Israel partiram, em ordem de marcha, do deserto do Sinai. A Nuvem se deteve no deserto de Farã.»

    «34. Durante o dia a Nuvem de Iahweh pairava acima deles, quando partiam do acampamento.»
  12. Números 11:
    «Efusão do Espírito – 24. Moisés saiu e disse ao povo as palavras de Iahweh. Em seguida reuniu setenta anciãos dentre o povo e os colocou ao redor da Tenda. 25. Iahweh desceu na Nuvem. Falou-lhe e tomou do Espírito que repousava sobre ele e o colocou nos setenta anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram; porém, nunca mais o fizeram.»
  13. Números 12:
    «Maria e Aarão contra Moisés – 1. Maria e Aarão murmuraram contra Moisés por causa da mulher cuchita que ele havia tomado. Pois ele havia desposado uma mulher cuchita. 2. Disseram-lhe: "Falou, porventura, Iahweh, somente a Moisés? Não falou também a nós?" Iahweh os ouviu. 3. Ora, Moisés era um homem muito humilde, o mais humilde dos homens que havia na terra.

    Resposta divina – 4. Subitamente disse Iahweh a Moisés, a Aarão e a Maria: "Vinde, todos os três, à Tenda da Reunião." Todos os três foram 5. e Iahweh desceu numa coluna de nuvem e se deteve à entrada da Tenda. Chamou a Aarão e a Maria; ambos se apresentaram. 6. Disse Iahweh: "Ouvi, pois, as minhas palavras: Se há entre vós um profeta, é em visão que me revelo a ele, é em sonho que lhe falo. 7. Assim não se dá com o meu servo Moisés, a quem toda a minha casa está confiada. 8. Falo-lhe face a face, claramente e não em enigmas, e ele vê a forma de Iahweh. Por que ousastes falar contra meu servo Moisés?" 9. A ira de Iahweh se inflamou contra eles. E retirou-se 10. e a Nuvem deixou a Tenda. E Maria tornou-se leprosa, branca como a neve. Aarão voltou-se para ela, e estava leprosa.»
  14. Números 14:
    «13. Moisés respondeu a Iahweh: "Os egípcios ouviram que pela tua própria força fizeste sair este povo do meio deles. 14. Disseram-no também os habitantes desta terra. Souberam que tu, Iahweh, estás no meio deste povo, a quem te fazes ver face a face; que és tu, Iahweh, cuja nuvem paira sobre eles; que tu marchas diante deles, de dia numa coluna de nuvem e de noite numa coluna de fogo."»
  15. Números 17:
    «6. No dia seguinte, toda a comunidade dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Aarão, dizendo: "Fizestes perecer o povo de Iahweh." 7. Ora, como a comunidade se reunia contra Moisés e Aarão, ambos se dirigiram para a Tenda da Reunião. Eis que a Nuvem a cobriu e a glória de Iahweh apareceu. 8. Moisés e Aarão foram diante da Tenda da Reunião. 9. Iahweh falou a Moisés e disse: 10. "Saí do meio desta comunidade; vou destruí-la em um instante." Eles prostraram-se com a face contra a terra.»
  16. Salmo 78:
    «14. De dia guiou-os com a nuvem,
    E com a luz de um fogo toda a noite;»
  17. Salmo 96:
    «1. Iahweh é rei! Que a terra exulte,
    As ilhas numerosas fiquem alegres!
    2. Está envolvido em nuvem escura,
    seu trono tem por fundamento a justiça e o direito.»
  18. Salmo 99:
    «7. Falava com eles da coluna de nuvem,
    E eles guardavam os seus testemunhos,
    E a Lei que lhes dera.»
  19. Salmo 105:
    «39. Ele estendeu uma nuvem para cobri-los,
    E um fogo para iluminar a noite.»
  20. Ezequiel 10:
    «1. Olhei e eis sobre a abóbada que estava por sobre da cabeça dos querubins, sim, por cima deles surgiu algo semelhante a uma pedra de safira, que tinha a aparência de um trono. 2. Disse ele então ao homem vestido de linho: "Põe-te no meio das rodas, sob o querubim, enche a mão de brasas apanhadas dentre os querubins e espalha-as por sobre a cidade". Ele assim fez sob a minha vista.

    3. Ora, os querubins estavam em pé do lado direito do Templo quando o homem entrou, e a nuvem enchia o átrio interior. 4. A Glória de Iahweh ergueu-se de sobre o querubim, movendo-se em direção ao limiar do Templo. Ao que o Templo se encheu com a nuvem e o átrio ficou cheio do resplendor da Glória de Iahweh. 5. O ruído das asas dos querubins podia ser ouvido desde o átrio exterior, como a voz de El Shaddai quando ele fala.»
  21. Mateus 17:
    «A transfiguração – 1. Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou para um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2. E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz. 3. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com ele. 4. Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: "Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, levantarei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias". 5. Ainda falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e uma voz, que saia da nuvem, disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o!" 6. Os discípulos, ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão. 7. Jesus chegou perto deles e, tocando-os, disse: "Levantai-vos e não tenhais medo". 8. Erguendo os olhos, não viram ninguém: Jesus estava sozinho.»
  22. Lucas 21:
    «As catástrofes cósmicas e a manifestação gloriosa do Filho do Homem – 25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra, as nações estarão em angústia, inquietas pelo bramido do mar e das ondas; 26. os homens desfalecerão de medo, na expetativa do que ameaçará o mundo habitado, pois os poderes do céu serão abalados. 27. E então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e grande glória. 28. Quando começarem a acontecer essas coisas, erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação".»
  23. Atos 1:
    «A Ascensão – 6. Estando, pois, reunidos, eles assim o interrogaram: "Senhor, é agora o tempo em que irás restaurar a realeza em Israel?" 7. E ele respondeu-lhes: "Não compete a vós conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade. 8. Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e a Samaria, e até os confins da terra". 9. Dito isto, foi levado à vista deles, e uma nuvem o ocultou a seus olhos.»
  24. 1 Coríntios:
    «1. Não quero que ignoreis, irmãos, que os nossos pais estiveram sob a nuvem, todos atravessaram o mar 2. e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés. 3. Todos comeram o mesmo alimento espiritual, 4. e todos beberam a mesma bebida espiritual, pois beberam de uma rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo.»
  25. Apocalipse 10:
    «1. Vi depois outro anjo poderoso descendo do céu, trajava-se com uma nuvem e sobre a sua cabeça estava o arco-íris; seu rosto era como o sol, e as pernas pareciam colunas de fogo.»
  26. Apocalipse 11:
    «11. Contudo, depois dos três dias e meio, um sopro de vida, vindo de Deus, penetrou-os, e eles se puseram em pé. E um grande medo se apoderou dos que os contemplavam. 12. Ouvi então uma forte voz do céu, que lhes dizia: "Subi para aqui!" E subiram para o céu na nuvem, e os seus inimigos os contemplaram. 13. Naquela mesma hora houve um grande terramoto; a décima parte da cidade caiu e sete mil pessoas morreram na catástrofe. Os sobreviventes ficaram apavorados e deram glória ao Deus do céu.»
  27. Apocalipse 14:
    «A ceifa e a vindima das nações – 14. Depois disso, olhei: havia uma nuvem branca, e sobre a nuvem alguém sentado, semelhante a um Filho de Homem, com uma coroa de ouro na cabeça e nas mãos uma foice afiada. 15. Nisto outro anjo saiu do Templo, gritando em voz alta ao que estava sentado sobre a nuvem: "Lança a tua foice e ceifa. Chegou a hora da ceifa, pois a seara da terra está madura". 16. O que estava sentado na nuvem lançou então a sua foice sobre a terra, e a terra foi ceifada.»
  28. Todas as citações da Bíblia são da Bíblia de Jerusalém, edição em língua portuguesa.
    R. S.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 45



Um bom esclarecimento de algumas e certas ilusões e erros que podem acontecer nesta obra.
  1. Mas eu digo-te uma coisa: é que nesta obra um jovem discípulo, o qual não tenha ainda a prática e a experiência do trabalho espiritual, pode muito facilmente ser apanhado no erro e talvez, a menos que ele não tenha imediatamente prudência e não tenha a graça de cessar e humildemente se submeter ao seu diretor, arriscar a ruína das suas forças físicas e a devastação das suas forças intelectuais e espirituais, ao ponto de cair em demência. E tudo isto devido ao orgulho, às paixões carnais e à curiosidade da inteligência.
  2. Esse erro pode acontecer na maneira que se segue. Um jovem homem ou mulher, novos na escola da devoção, ouviu falar dessa aflição e desse desejo, aprendendo pela leitura ou pela palavra que o ser humano deve levar o seu coração para Deus e não cessar no seu desejo de sentir o amor do seu Deus. E imediatamente ei-los, na curiosidade da inteligência deles, compreendem essas palavras não espiritualmente, como elas devem ser compreendidas, mas carnalmente na sensibilidade e materialmente nos corpos; e eles esforçam-se nos seus corações de carne que eles maltratam nos seus peitos. Faltos de graça, e por espírito de orgulho e de curiosidade, eles brutalizam as suas veias e as suas forças corporais tão rudemente e tão bestialmente que ao fim de um tempo muito curto, eles caem no frenesim ou na melancolia, e numa espécie de languida fraqueza de corpo e de alma, a qual os leve a afastarem-se deles próprios para procurarem fora deles qualquer falsa ou qualquer vã consolação corporal carnal, como que para uma recreação do corpo e do espírito. Ou então, se eles não caem nisto, eles ganham pela sua cegueira espiritual, pelas violências feitas à natureza dos seus peitos e dos seus corações de carne durante o tempo deste trabalho não espiritual mas hostilmente bestial, e eles conseguem ter os seus peitos inflamados de um calor fora da natureza cuja causa será esse mau governo e esse desregramento do corpo devido ao trabalho hostil; ou ainda qualquer falso calor concebido neles e suscitado pela Demónio, o inimigo espiritual deles, e cuja causa será o orgulho e a carne deles, e a curiosidade de espírito deles. E no entanto, talvez, eles imaginarão que é o fogo do amor obtido e merecido da graça e da bondade do Espírito Santo.
  3. Na verdade, dessa ilusão e de todas aquelas a que ela arrasta, sai muito mal: hipocrisia, heresia e erro em grande quantidade. Porque muito rapidamente depois de uma experiência e de um sentimento igualmente falso, vem uma falsa ciência e um conhecimento da escola do Demónio; assim como rapidamente depois de uma experiência e um sentimento verdadeiros, vem um verdadeiro conhecimento da escola de Deus. Porque, eu te digo na verdade, o diabo tem os seus contemplativos como Deus tem os Seus.
  4. Essa ilusão do falso sentimento e do falso conhecimento que lhe segue, tem variações espantosamente diversas e numerosas segundo a diversidade dos estados, dos temperamentos e da subtileza daqueles que nele são presos e enganados; como tem, igualmente, o verdadeiro sentimento e conhecimento daqueles que nele são salvos. Mas eu não coloco aqui outros erros senão aqueles aos quais eu penso que tu possas ser exposto, se tu te meteres alguma vez no trabalho desta obra. Porque qual seria o proveito para ti de saberes como é que tais grandes clérigos, ou tais homens e mulheres em graus diferentes do teu, são enganados? Absolutamente nenhum, certamente. E é por isso que eu não te digo mais do que aquilo que tu próprio podes assimilar se tu trabalhares nesta obra; e aquilo que eu te disse, é por forma a que tu tenhas prudência com isto no teu esforço e no teu trabalho, se alguma vez tu fores atacado.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 44



Como uma alma se disporá pela sua parte, afim de destruir todo o conhecimento e sentimento do seu próprio ser.
  1. Mas presentemente tu perguntas-me como é que tu poderás destruir esse nu conhecimento e sentimento do teu próprio ser. Porque talvez bem vais tu pensar que se isso fosse destruído, todos os outros impedimentos seriam destruídos; e se tu pensas assim, tu pensas exatamente verdadeiro. Mas a isso, eu te respondo e digo que sem uma graça muito particular, muito livremente dada por Deus, e para além disso, da tua parte, sem uma aptidão e capacidade plenamente concedidas para receber essa graça, esse nu conhecimento e sentimento do teu ser não podem de nenhuma forma serem destruídos. E essa aptidão ou capacidade não é outra coisa senão uma extrema e profunda aflição espiritual.
  2. Mas nessa aflição, importa e é necessário que tu tenhas e metas discrição, desta maneira: tu estarás atento, no tempo dessa aflição, e não demasiado rudemente esforçarás quer o teu corpo quer o teu espírito, mas pelo contrário tu ficarás completamente tranquilo sentado como que com o desejo de dormir, todo penetrado e mergulhado na aflição. Porque eis a aflição verdadeira, eis a perfeita aflição; e feliz aquele que lá consegue chegar! Todos os seres humanos têm motivos de aflições: mas mais do que todos e em particular, tem aquele que sabe e tem o sentimento daquilo que ele é. Todos os outros desgostos, por comparação a essa aflição, não passam de jogos ao lado da gravidade. Porque ele pode ter grande e grave aflição, porque não apenas ele sabe e sente aquilo que ele é, mas, e ainda, sabe e tem o sentimento que ele é. E quem nunca sentiu essa aflição, que ele se aflija então: porque nunca até aqui ele conheceu a aflição perfeita. A qual aflição, quando ela é obtida, purifica a alma não apenas do pecado mas também da pena que ela mereceu do pecado; depois ainda ela torna a alma capaz de receber essa alegria, a qual reergue o ser humano de todo o conhecimento e sentimento do seu ser.
  3. Bem concebida na verdade, essa aflição está toda plena dum santo desejo; e de outro modo, não haveria nunca nenhum ser humano que a pudesse acolher e suportar. Porque se não acontecesse que a sua alma fosse mesmo pouco alimentada por uma forma de reconforto pelo seu justo trabalho, não seria de outra forma capaz de suportar a pena que ele tem do conhecimento e do sentimento do seu ser. Porque tão frequentemente ele quer ter o conhecimento e o sentimento verdadeiros do seu Deus (tão pouco quanto se pode ter aqui) assim frequentemente ele sente que ele não o pode: porque sempre mais ele encontra o seu conhecimento e o seu sentimento como que ocupados e todos cheios do bloco maciço, horrível e fedorento, de si próprio; o qual ele deve sempre detestar e odiar e sempre rejeitar, se ele quer ser perfeito discípulo de Deus, e por Ele ensinado sobre o monte da perfeição; e tão frequentemente, isso, que ele vai quase até à loucura na sua aflição. É nesse ponto que ele chora e se lamenta, luta e combate, lança juramentos e gritos de execração; e, para dizê-lo resumidamente, parece-lhe ser tão pesado de carregar, um fardo tão pesado de si próprio, que nunca mais ele se inquieta com aquilo que lhe pode acontecer enquanto Deus não tenha ficado satisfeito e que ele não Lhe tenha agradado.
  4. E no entanto, no meio de toda essa aflição, ele não deseja nada deixar de ser: porque isso seria demência diabólica e ódio de Deus. Pelo contrário, agrada-lhe com efeito ser, e ele dá graças do profundo do coração a Deus pela excelência e pelo dom que Ele lhe fez desse ser: porque tudo o que ele deseja e não deixa de desejar, é o perder e deixar o conhecimento e o sentimento do seu ser.
  5. Essa desolação e esse desejo, pertence a cada alma o tê-los e o senti-los nela, quer seja duma maneira quer doutra: conforme se digna Deus de o explicar e ensinar aos Seus discípulos espirituais com o Seus bom prazer e segundo as aptidões e capacidades do corpo e da alma deles, o grau onde eles estão e o temperamento deles, até ao tempo em que, se Ele o permitir, eles poderão ser unidos a Deus em caridade perfeita – tanto quanto se pode aqui em baixo.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 43



Que é preciso absolutamente que o ser humano perca toda a ideia e todo o sentimento do seu próprio ser, se a perfeição desta obra deve realmente ser tocada pela alma nesta vida.
  1. Procura que na tua inteligência e na tua vontade nada opere a não ser Deus. E procura abater todo o conhecimento e todo o sentimento do que quer que esteja debaixo de Deus; e rejeita para bem longe todas as coisas para debaixo da "nuvem do esquecimento". E tu deves compreender que tu não tens apenas que esquecer nesta obra todas as outras criaturas para além de ti próprio e também as suas ações ou as tuas, mas também que tu tens, nesta obra, que esquecer em conjunto quer a ti próprio quer as tuas próprias ações para Deus, não menos que as outras criaturas e as suas ações. Porque é o apropriado e a condição de quem ama perfeitamente, não somente de amar aquilo que ele ama mais do que a si próprio, mas também e ainda de alguma forma de se odiar a si próprio pelo amor daquilo que ele ama.
  2. Assim, é preciso que tu faças tu próprio de ti próprio: tu deves ganhar desgosto e te aborrecer de tudo o que se faz na tua inteligência e na tua vontade, a menos que seja Deus apenas. Porque tudo o que é outro, seguramente, o que quer que seja, está entre ti e o teu Deus. E (não é) nada de espantoso que tu detestes e odeies, o pensares em ti próprio, quando tens sempre que ter o sentimento do pecado, esse horrível e fedorento bloco maciço de que tu não sabes o quê, o qual está entre ti e o teu Deus: essa massa pesada que não é outra coisa senão tu próprio. Porque é preciso que tu penses que ele está unido e fundido com a substância do teu ser, ah! como se não existisse aí diferença e partilha.
  3. E é por isso que (tu) reverte e abate todo o conhecimento e sentimento das criaturas de todas as espécies, mas muito particularmente de ti próprio. Porque é desse conhecimento e desse sentimento de ti próprio que depende o teu conhecimento e o teu sentimento de todas as outras criaturas, as quais todas, em vista disso, serão facilmente esquecidas. Porque tu verás, ao meteres-te ativamente tu próprio ao facto e à prova, que quando tu tiveres esquecido todas as outras criaturas e todas as suas obras, sim, e as tuas próprias ainda por cima, haverá aí ainda vivo entre ti e o teu Deus, um conhecimento nu e um sentimento do teu ser próprio, os quais deverão sempre ser destruídos até ao tempo em que tu sentirás segura e verdadeira a perfeição desta obra.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 42



Que ao não meterem nenhuma discrição nesta, os seres humanos terão discrição em todas as outras coisas; e da outra forma nunca.
  1. Mas talvez vais tu perguntar-me como é que tu te conduzirás e governarás com discrição na alimentação, no sono, e em todas essas outras coisas. Ao qual eu penso te responder muito brevemente: «Toma aquilo que vier.» Está sempre e sem cessar a obrar nesta obra, sem discrição nenhuma, e tu terás o bom discernimento para começar e acabar todas as outras obras com uma grande discrição. Porque me é impossível pensar que uma alma que dia e noite persevera e persegue esta obra sem cessar nem discrição nenhuma, possa alguma vez errar ou se enganar em qualquer uma das outras atividades e ocupações exteriores; e de outro modo, pelo contrário, ela só pode errar sempre, na minha opinião.
  2. E por isso, se eu pudesse ter esta obra no fundo da minha alma sempre em consideração ativamente e atentivamente, então eu queria só ter inação para o comer e o beber, o sono e a conversa e todas as minhas outras ações exteriores. E certo, eu tenho o pensamento bem certo de que com essa inatenção ou indiferença, eu chegarei a meter e guardar a discrição nessas coisas, em vez de me ocupar delas ativamente como se eu quisesse, pela consideração dessas mesmas coisas, lhes colocar um limite e fixar uma medida. Na verdade, eu não chegaria nunca a lhes pôr (limite e medida) fazendo assim, quais quer que sejam os meus atos e as minhas palavras sobre este ponto. Deixemos dizer aos seres humanos aquilo que eles quiserem, e à experiência o testemunho e a prova.
  3. Assim, portanto, eleva o teu coração num cego impulso de amor; e recolhe-te logo em «Falta» e logo em «Deus». Deus que tu gostarias de ter ou possuir, e a falta ou pecado do qual tu gostarias ser libertado. Porque Deus faz-te falta; e do pecado, tu não tens senão a certeza absoluta de o ter. Deus bom venha agora em teu socorro, porque agora tu tens necessidade!


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 41



Que em todas as obras debaixo desta, é preciso que os seres humanos guardem discrição; mas nesta, nenhuma.
  1. E mais longe, se tu me perguntas qual discrição tu deves ter e meter nesta obra, eu te respondo e te digo: exatamente nenhuma! Porque em todas as tuas outras ações tu meterás discrição, como no comer, beber, dormir ou proteger o teu corpo do frio e do calor muito violentos, ou longamente rezar ou ler, ou trocar palavras com o teu próximo. Em tudo isso tu deverás guardar discrição, de tal forma que não seja nem demasiado, nem demasiado pouca. Mas nesta obra, tu não haverás de ter nenhuma medida: porque eu desejaria que tu pudesses nunca a deixar ao longo de todo o comprimento e tempo da tua vida.
  2. Eu não digo que tu nela perseverarás e persistirás sempre com um igual vigor e frescura, visto que isso não pode acontecer. Porque haverá a doença por vezes, e outras desordens e lastimáveis disposições do corpo e da alma, e muitas outras necessidades da natureza, as quais te reterão bastantes vezes, e frequentemente te farão descer do alto deste trabalho. Mas eu digo que tu deverias sempre e sem cessar nela estar, quer muito seriamente e diretamente, quer com mais jogo; quer dizer que tu a tenhas sempre: seja de fato e em obra, seja de intenção e em vontade. E é por isso, pelo amor de Deus, protege-te tanto e o melhor que possas da doença, a fim de não seres tu próprio, tanto quanto é possível, a causa da tua fraqueza. Porque é na verdade que eu te digo que esta obra reclama uma muito grande e completa tranquilidade e uma inteira e pura disposição, tanto do corpo quanto da alma.
  3. Portanto, pelo amor de Deus, mete discrição no governo do teu corpo assim como da tua alma, e conserva-te com saúde tanto quanto possas. E se a doença aparecer apesar do teu esforço, toma-a com paciência e remete-te humildemente à misericórdia de Deus: e então é tudo o que é preciso. Porque to digo na verdade, há bastantes vezes onde a paciência na doença e em diversas outras tribulações agrada a Deus muito mais do que toda a devoção que te agrada ter e que te permite a saúde.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 40



Que no tempo desta obra, a alma não dá nenhuma atenção nem consideração particular a nenhum vício em si própria e nenhuma virtude em si própria.
  1. E tu, faz igualmente, que o teu espírito esteja todo cheio da significação espiritual dessa palavra «falta», e sem consideração mais particular a nenhum tipo de pecado que seja, pecado venial ou pecado mortal: Orgulho, Cólera ou Inveja, Cobiça, Preguiça, Gula ou Luxúria. Tanto faz ao contemplativo que seja tal pecado ou tal outro, ou de qual gravidade que ele seja. Porque todos os pecados, ele os vê – eu quero dizer, durante o tempo desta obra – igualmente graves neles próprios, pelo facto de que o mínimo pecado o separa de Deus e o cerceia da sua paz espiritual.
  2. E que tu tenhas o sentimento dessa «falta» ou pecado como se ele fosse um bloco maciço e que tu nunca sabes o que é, a não ser que és tu próprio. E grita então sem cessar em espírito essa única «Falta! falta! falta! Ai! ai! ai!». O qual grito espiritual, tu aprenderás bem melhor de Deus por experiência, que pela palavra de nenhum ser humano qualquer que ele seja. Porque o melhor é este grito em toda a pureza do espírito, sem nenhum pensamento particular nem enunciado de nenhuma palavra; a menos no entanto, o que acontece em raros momentos, que por excesso e abundância, o espírito estoire subitamente em palavras, o corpo e a alma estando todos os dois cheios e oprimidos pela mágoa e pelo impedimento do pecado.
  3. E da mesma maneira farás tu dessa pequena palavra de «Deus»: que o teu espírito esteja todo cheio do seu significado espiritual, e sem nenhuma consideração mais particular por nenhuma das Suas obras, corporal ou espiritual, tão boa, ou melhor, ou excelente que ela seja – nem tão pouco por nenhuma virtude, que possa suscitar na alma humana qualquer graça que seja; e de forma nenhuma tu procurarás ver se é Humildade ou Caridade, Paciência ou Abstinência, Esperança, Fé ou Temperança, Caridade ou Pobreza voluntária. O que interessa isso ao contemplativo? Porque em todas as virtude ele encontra e vê, reconhece e tem o sentimento de Deus; porque n'Ele estão todas as coisas, todas em conjunto por causa e por estado. É por isso que os contemplativos pensam que se eles têm Deus, eles têm e possuem todo o bem, e por conseguinte eles não cobiçam nada por consideração mais particular, nada senão o único bem: Deus. E tu, faz igualmente também tão longe quanto possas pela graça: e ouve Deus em tudo, e em tudo Deus, afim de que não haja obra no teu espírito e na tua vontade senão Deus apenas.
  4. Mas porque tal, e igualmente por muito tempo que tu vivas nesta vida miserável, é o teu quinhão de sempre ter em qualquer parte o sentimento dessa horrível e fedorenta massa do pecado, tal como se ela estivesse unida e fundida com a substância do teu ser, então e é por isso que tu pensarás alternadamente e tomarás as duas palavras: «Falta» e «Deus», tendo esse conhecimento geral de que se tu tens Deus, então tu serás corrigido do pecado; e se tu te podes corrigir do pecado, então tu possuirás Deus.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulos 40 a 49


  1. Que no tempo desta obra, a alma não dá nenhuma atenção nem consideração particular a nenhum vício em si própria e nenhuma virtude em si própria
  2. Que em todas as obras debaixo desta, é preciso que os seres humanos guardem discrição; mas nesta, nenhuma
  3. Que ao não meterem nenhuma discrição nesta, os seres humanos terão discrição em todas as outras coisas; e da outra forma nunca
  4. Que é preciso absolutamente que o ser humano perca toda a ideia e todo o sentimento do seu próprio ser, se a perfeição desta obra deve realmente ser tocada pela alma nesta vida
  5. Como uma alma se disporá pela sua parte, afim de destruir todo o conhecimento e sentimento do seu próprio ser
  6. Um bom esclarecimento de algumas e certas ilusões e erros que podem acontecer nesta obra
  7. Um bom ensinamento sobre como o ser humano deve fugir dessas ilusões, e como ele deve trabalhar mais por uma inclinação do espírito do que pela violência e a rudeza feitas ao corpo
  8. Um ligeiro ensinamento desta obra sobre a pureza do coração, declarando como é que uma alma elevará o seu desejo a Deus duma maneira, e vós, pelo contrário, duma outra maneira aos seres humanos
  9. Como Deus quer ser servido quer pelo corpo quer pela alma, e como Ele recompensa os seres humanos num e no outro; e como é preciso, para os seres humanos, conhecerem quando são boas, e quando são más, todas essas harmonias e outras suavidades que caem no corpo no momento da oração
  10. A essência e substância de toda a perfeição não é nada mais que uma boa vontade; e como todas essas delícias e harmonias e outras consolações que se podem ter nesta vida, não são nada mais que meros acidentes


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 39



Como rezará um perfeito operário da obra, e o que é nela própria a oração; e se alguém reza com palavras, que palavras se acordam melhor à índole da oração.
  1. E é por isso que é preciso rezar na altura e na profundidade, no comprimento e na largura do nosso espírito. E isto, não com frases e numerosas palavras, mas com uma pequena palavra duma breve sílaba.
  2. Mas qual será essa palavra? Certo, será uma palavra tal que se acorde pelo melhor à índole da oração. Mas qual é então tal palavra? Vejamos primeiro o que é a oração propriamente em si própria; e em seguida nós saberemos mais claramente qual palavra se acorda melhor à índole da oração.
  3. A oração é propriamente em si própria, não outra coisa senão um devoto impulso para Deus para obter o bem e afastar o mal. E portanto, sendo que todo o mal, quer pela sua causa quer pelo seu estado, está todo inteiro compreendido e tido no pecado, ou Falta, segue-se que quando nós queremos intensamente rezar para sermos livrados do mal, nós não temos para pronunciar, ou dizer, ou pensar, ou ter no espírito outra coisa, nem nenhuma outra palavra senão essa pequena palavra de «Falta». E quando nós queremos intensamente rezar para obter um bem, nós não temos mais que gritar, quer seja por palavra, por pensamento ou por desejo, nenhuma outra coisa nem nenhuma outra palavra senão essa palavra: «Deus». Porque em Deus está todo o bem, em conjunto por causa e por estado; eis porquê. E não te espantes nada que eu coloque essas palavras com exclusão de todas as outras: porque se eu conseguisse encontrar outras mais curtas, e que contivessem também plenamente todo o bem e todo o mal como fazem essas duas; ou de outro modo se Deus me tivesse ensinado a tomar outras, seriam essas que eu teria tomado, e as primeiras eu as teria deixado. E assim eu te aconselho a fazer tu próprio.
  4. Não vás portanto pôr-te ao estudo e à procura de palavras, o qual estudo não te levaria nada ao teu propósito nem nesta obra, porque nunca se chega lá pelo estudo, mas apenas pela graça. E é por isso que não tomes tu próprio para a tua oração nenhumas outras palavras, para além daquelas que eu pus aqui, a não ser aquelas que, por Deus, tu te sintas incitado a tomar. No entanto, se Deus te levasse a tomar as ditas, então o meu conselho é o de que tu não as deixes: eu entendo e quero dizer para o caso em que tu rezes com palavras, porque senão não. Porquê? porque com efeito são palavras curtas. Mas por tanto que seja aqui tão grandemente recomendada a brevidade da oração, nunca no entanto a sua frequência deve de todo ser relentada. Porque é rezar, como foi dito, no comprimento do espírito; e nunca deveria cessar nem se interromper uma tal oração, até ao tempo em que ela tenha plenamente obtido aquilo que, atrás do qual, ela suspirava. E o exemplo, nós o vemos naquele homem ou aquela mulher no terror como descrito acima, os quais com efeito não deixam também de gritar essa pequena palavra de «fogo», ou essa outra de «desgraça», tanto e tão longamente quanto eles não obtenham o maior alívio e o maior socorro na sua aflição.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 38



Como e porquê esta curta oração penetra no céu.
  1. E porquê penetra ela no céu, esta breve e curta oração duma única sílaba? Porque, certo, ela é rezada com todo o espírito: na altura e na profundidade, no comprimento e na largura do espírito que a reza. Ela é na altura, porque é com toda a potência do espírito; e na profundidade, porque nessa curta sílaba estão contidas todas as inteligências do espírito. Ela é em todo o seu comprimento, porque se ele pudesse sentir sempre aquilo que ele sente então, ele gritava sempre assim como ele grita; e ela é na sua largura, porque ele quer para todos os outros aquilo que ele quer para si próprio.
  2. Nesse momento acontece que a alma, segundo a lição de são Paulo, «torna-se capaz de compreender com todos os santos – não plenamente e absolutamente, mas em parte e de uma maneira que se encontra em relação e harmonia com esta obra – a qual é a largura e o comprimento, a altura e a profundidade» do eterno Deus e todo amor, potência e sabedoria. A eternidade de Deus é o Seu comprimento; o amor é a Sua largura; a potência é a Sua altura; e a sabedoria é a Sua profundidade. Não é nenhuma surpresa portanto que uma alma assim e tão estreitamente conformada pela graça à imagem e à semelhança de Deus seu criador, seja rapidamente escutada por Deus! Sim, mesmo se fosse uma alma completamente oprimida pelos pecados de um grande pecador, o que é como se ele fosse o inimigo de Deus, e que ela chegue pela graça a gritar desse modo uma breve sílaba na altura e na profundidade, no comprimento e na largura do espírito, ela não seria menos sempre, e pelo ruído brutal que faz o seu grito, ouvida e ajudada por Deus.
  3. Vê por exemplo: se aquele que é teu inimigo mortal, subitamente tu o ouvisses no cúmulo do terror gritar esta pequena palavra de «fogo» ou «ai de mim!» ou «desgraça!» então sem considerar se ele é ou não teu inimigo, mas na pura piedade do teu coração tu fosses comovido e tomado de compaixão pela angústia desse grito e tu te levantasses – sim, sim, mesmo que fosse no meio da noite de inverno! – e tu fosses em seu socorro para o ajudar a apagar o fogo ou para o confortar e o apaziguar na sua angústia. Oh, Senhor! quando um ser humano pode em graça torna-se tão lastimoso e misericordioso que ele se compadeça do seu inimigo, não obstante a sua inimizade, que piedade e que misericórdia então terá Deus por um tal grito espiritual da alma, feito e concebido na altura e na profundeza, no comprimento e na largura do espírito, Ele que tem por natureza aquilo que o ser humano tem por graça? Oh! bem mais, bem mais seguramente terá Ele misericórdia, e sem nenhuma comparação, porque tanto está próxima a coisa assim possuída pela natureza quanto a coisa eterna que vos é dada pela graça!


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 37



Das orações particulares daqueles que estão no contínuo trabalho da obra que diz este livro.
  1. E tão exatamente como as meditações daqueles que estão no contínuo trabalho da graça e desta obra, subitamente se elevam e jorram sem vias nem meios nenhuns; tão exatamente igualmente fazem as suas orações. Eu falo das orações particulares deles, não daquelas orações que são ordenadas pela santa Igreja. Porque aqueles que são verdadeiros operários nesta obra, eles não têm em veneração nenhuma oração tal como esses últimos, e também eles as fazem tais e segundo a forma e a lei que lhes foram ordenadas pelos santos Pais antes de nós. Mas as orações particulares deles elevam-se sempre mais repentinamente em direção a Deus, sem nenhuma via nem premeditação particular, nem nada que as prepare ou as leve.
  2. E se elas (as orações) são feitas de palavras, o que acontece raramente, então elas não o serão senão com muito poucas palavras, sim, e quanto menos melhor. Ah! sim, e se for uma única palavra e de sílaba muito breve, isso seria melhor que duas, na minha opinião; e menos ainda, se possível, considerando que é obra do espírito, a qual exige que aquele que a faz esteja sempre no mais alto e soberano cume e na ponta do espírito. O que pode efetivamente ser verificado no exemplo aqui a seguir, tirado do curso da natureza. Um homem ou mulher, assustados subitamente por qualquer acidente, tal como o fogo ou a morte de uma pessoa ou qualquer outro que seja, bruscamente colocado no extremo de si próprio, é levado pela pressa e pela necessidade a gritar ou suplicar por ajuda. Como faz ele? Seguramente nunca com muitas palavras e expressões, nem mesmo com numerosas sílabas. Portanto, o quê então? Parece-lhe impossível de se deter num qualquer discurso longo para proclamar em tal urgência a sua necessidade e impulso do seu espírito: assim ele rebenta horrivelmente na sua agitação extrema e ele urra uma pequena palavra de pouco mais do que uma sílaba, tal como: Oh! ou Fogo! ou Desgraça!
  3. E essa tal pequena palavra de «Fogo!» atinge mais rapidamente e penetra nos ouvidos dos ouvintes, também tal faz uma pequena palavra de uma ou duas sílabas quando ela é não apenas pronunciada ou pensada, mas ainda formulada unicamente em segredo nas profundezas do espírito, as quais são a altura, porque no espírito tudo é um, a altura e a profundidade, o comprimento e a largura. E muito melhor essa pequena palavra penetra no ouvido do Deus Todo-Poderoso, e primeiro que uma tal interminável salmodia negligentemente resmungada entre dentes. Também é por isso que está escrito que a oração curta penetra no céu.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 36



Da meditação daqueles que estão no contínuo trabalho da obra que diz este livro.
  1. Mas não acontece assim com aqueles que estão no contínuo trabalho da obra que diz este livro. Porque as meditações deles são tais como se fossem ideias bruscas e sentimentos cegos da miséria própria deles ou da bondade de Deus, sem nenhuma via prévia de leitura ou de audição de leitura, sem nenhuma consideração particular do que quer que seja debaixo de Deus. Essas ideias súbitas e esses sentimentos cegos são mais aprendidos de Deus que dos seres humanos.
  2. Eu não me inquieto nada, mesmo se tu presentemente não tiveres feito meditações sobre a tua miséria própria ou sobre a bondade de Deus (eu quero dizer e eu entendo: que tu lá fosses levado às meditações pela graça e pelo conselho) para além daquelas (meditações) que tu pudesses ter feito desta palavra FALTA e desta outra palavra DEUS, ou de qualquer outra assim à tua conveniência. Mas sem quebrar nem explorar essas palavras pela curiosidade da inteligência nem o escrutínio ou pesquisa das qualidades delas, como se tu quisesses com isso aumentar a tua devoção. Eu creio e estou certo que neste caso e nesta obra nunca será assim. Mas pelo contrário, que tu as guardes bem inteiras e em tudo, estas palavras; e por FALTA, compreende um bloco maciço de que tu não sabes o quê, nem nenhuma outra coisa para além de ti próprio. Eu penso, por mim, que nesta consideração e cega contemplação da falta ou pecado assim condensados e fixos num bloco, e em nenhuma outra coisa senão tu próprio, não seria possível aí haver nada nem ninguém de mais louco para atar. Ainda que, se alguém por acaso te visse então, ele pensaria que tu estavas nas mais sóbrias disposições físicas; sem nenhuma alteração na atitude e na aparência, em qualquer que tu estejas então, parado ou em marcha, deitado ou em pé, sentado ou de joelhos: ele te veria na calma mais contida e na mais sóbria tranquilidade.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 35



De três vias às quais se deve empregar um aprendiz contemplativo: leitura, pensamento e oração.
  1. Estas contudo, são vias às quais se deve empregar um aprendiz contemplativo, as quais são: Lição, Meditação e Oração; ou doutra forma chamadas, afim de que tu compreendas: leitura, reflexão e oração 1. Dessas três, tu encontrarás que foi escrito num outro livro por um outro homem 2 muito melhor do que eu seria capaz de dizer; e é por isso que não é necessário que eu te fale aqui das qualidades delas. Mas há aqui algo que te posso dizer: essas três estão a tal ponto atreladas e ligadas em conjunto que para os iniciantes, os quais são os beneficiários delas – e não os perfeitos, não! perfeitos tanto quanto se pode ser aqui – o exercício do pensamento não seria benfazejo sem uma prévia leitura ou audição da leitura; porque é exatamente a mesma coisa, ler ou ouvir ler: os letrados lêem nos livros, e os não letrados lêem pela audição dos letrados quando eles pregam a palavra de Deus. E também não, a oração não é obtida boamente por esses mesmos principiantes, sem prévio exercício do pensamento.
  2. Vê-o nesta prova: neste mesmo curso, a palavra de Deus tanto escrita como falada, é comparada a um espelho. Espiritualmente, os olhos da tua alma são a tua razão, e é a tua consciência que é o teu rosto espiritual. Ora, assim como se o teu rosto físico tem uma mácula, os olhos do teu rosto não podem ver essa mancha nem pensar que ela existe sem um espelho ou o ensinamento de um outro que não tu próprio; igualmente o mesmo também acontece espiritualmente: sem leitura ou audição da palavra de Deus, não é possível ao entendimento humano que uma alma, a qual é cega por hábito do pecado, possa ver a mancha e a sujidade na sua consciência.
  3. E assim prosseguindo: quando o ser humano vê no espelho, material assim como espiritual, ou quando ele aprende pelo ensinamento de um outro ser humano da existência e da localização da mácula no seu próprio rosto tanto físico quanto espiritual, é então, e então apenas que ele corre para a fonte para se lavar. E se essa mancha é um pecado pessoal, então a fonte será a santa Igreja, e a água, a confissão com as suas circunstâncias. Mas se é uma raiz obscura e um movimento do pecado, então a fonte será o Deus de misericórdia e a água, a oração com as suas circunstâncias. E é assim que tu podes ver que o exercício do pensamento, os iniciantes não o podem bem ter e com proveito sem a leitura prévia ou a audição da leitura; nem tão pouco a oração, sem o exercício do pensamento.

Notas
  1. A Lectio divina, ou Leitura Orante, é uma prática e método de oração, reflexão e contemplação praticada desde tempos antigos, particularmente nos mosteiros beneditinos. Consiste na prática de oração e leitura das Escrituras e tem o intuito de promover a comunhão com Deus e aumentar o conhecimento da Palavra de Deus. Guigo II, prior da Grande Cartuxa de 1174 até 1180, na sua famosa Scala Claustralium, a Escada do Claustro, construiu uma escada de quatro degraus, a saber: 1. Lectio - Leitura, 2. Meditatio - Meditação, 3. Oratio - Oração, e 4. Contemplatio - Contemplação. A Contemplação é a "obra" deste livro. [ ]
  2. Talvez Richard Rolle, o eremita de Hampole, no De Emendatione vitæ. [ ]



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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 34



Que Deus dá esta graça, não por vias mas livremente, e que não será possível chegar lá por nenhuma via.
  1. E se tu me perguntas por quais vias tu chegarás a esta obra, eu peço ao Todo-Poderoso Deus, na Sua grande graça e cortesia, que Ele te ensine Ele próprio. Porque na verdade, eu não posso mais do que dar-te a pensar quanto incapaz eu sou de to dizer; e não há nada de espantoso nisso. Porque, com efeito, esse é o trabalho e a obra de Deus apenas, que Ele realiza Ele próprio na alma que Lhe agrada, sem nenhum mérito dessa própria alma. E sem isso, não há nem santo nem anjo que possa pensar sequer em a desejar. E eu tenho confiança que nosso Senhor tão frequentemente e tão particularmente consinta, sim! e mais particularmente mesmo e mais frequentemente, em realizar esta obra naqueles que foram acostumados pecadores, do que em outros tais que nunca O ofenderam tão gravemente quanto aqueles. O que Ele faz (assim), porque Ele quer ser visto como Todo-Misericordioso e Todo-Poderoso, e porque Ele quer ser visto como agindo como Lhe agrada, onde Lhe agrada e quando Lhe agrada.
  2. E no entanto, Ele não faz dom dessa graça, e também não realiza essa obra, em qualquer alma que não seja capaz. Mas, sem essa própria graça, não existe nenhuma alma capaz de possuir essa graça; nem sequer uma, quer seja dum pecador ou dum inocente. Porque, ela não é mais dada pela inocência nem ela é mais retida ou recusada pelo pecado. Presta bastante cuidado a que eu digo "recusada", e não "retirada". Atenção a este erro, eu te suplico: porque quanto mais os seres humano se aproximam da verdade, mais é preciso que eles se mantenham de guarda quanto ao erro. Eu não tenho intenção, a não ser boa e precisa: também, a menos de entender e compreender bem a coisa, deixa-a de lado até ao tempo que venha e to ensine Deus. Faz portanto assim, e não te vás ofender a ti próprio.
  3. Atenção ao orgulho, o qual blasfema contra Deus nos Seus dons, com efeito, e isoladamente endurece o pecador. Quanto a ti, sê humilde verazmente, e tu terás desta obra o sentimento que eu disse: do qual Deus faz dom livremente e não por resposta a qualquer mérito. Porque esta obra é tal e assim, que a sua presença torna uma alma capaz de a ter na sua possessão e de ter dela o sentimento. E esta capacidade, sem a obra, nenhuma alma a tem e também não a pode ter. É a própria obra que torna a alma capaz da obra, sem partilha; por forma que apenas aquele que tem e conhece o sentimento dessa obra é por isso mesmo capaz, e nenhum outro sem ser esse. E é tanto assim que, sem a obra, uma alma está como se estivesse morta e não pode nem aspirar a ela nem desejá-la. Tanto quanto tu a queres e a desejas, assim tanto tu a tens, e não mais, nem menos; no entanto, ela não é nem vontade nem tão pouco desejo, mas uma coisa que tu não sabes o quê, a qual (coisa) te atrai a querer e desejar o que tu não sabes o quê. Mas não te inquietes, eu te suplico, se o teu entendimento não chega até lá: pelo contrário, quer e deseja e segue para diante sempre mais, por forma a que tu sejas cada vez mais capaz e ainda sempre mais.
  4. E para me resumir em breve, deixa isso agir em ti e te conduzir onde lhe agrada. Deixa que isso seja o artesão e o operador, para não seres, tu, senão o paciente e aquele que se sujeita: tu só tens que olhar e deixar fazer. Não te envolvas, como se tu quisesses ajudar, com receio de tudo enredar. Para ti, não sejas nada senão a madeira, e que aquilo seja o artesão dessa madeira; não sejas senão a casa, e que aquilo seja o habitante dessa casa, o cultivador que reside lá. Sê e faz-te cego durante esse tempo, e rejeita todo o desejo e toda a ambição de conhecimento, os quais bens mais te farão obstáculo do que eles te podem ajudar. Que seja suficiente, para ti, o sentires-te movido e possuído no teu grado e assentimento por essa coisa que tu não sabes o quê e da qual tu não sabes nada, senão que nesse teu movimento tu não tens nenhum pensamento particular por nenhuma coisa abaixo de Deus, e que esse impulso nu é diretamente dirigido para Deus.
  5. E se as coisas forem assim, tu podes ter firme confiança de que é Deus, e Ele apenas, que move diretamente a tua vontade e o teu desejo, plenamente por Si próprio, não por vias intermediárias do Seu lado ou do teu. E não tenhas temor nem pavor, porque o diabo não pode chegar tão proximamente íntimo. Ele nunca pode, senão ocasionalmente e por vias distantes, chegar a mover a vontade de um ser humano, mesmo qualquer subtil diabo que alguma vez exista. E também, um bom anjo não pode mover a tua vontade suficientemente e sem vias; e, para dizer brevemente, nada nem ninguém senão Deus. E Deus apenas.
  6. Por forma que, tu poderás conceber um pouco por estas palavras aqui (mas muito mais claramente na prova e por experiência) que, nesta obra, os seres humanos não podem usar meios e vias, e que também eles não podem lá chegar por meios e vias. Não existe boa via que não dependa dela, mas ela não depende de nenhuma; e não existe nenhuma senão ela própria para lá chegar.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 33



Que por esta obra uma alma é purificada de todo o conjunto dos seus pecados particulares e da pena deles; e que portanto não há perfeito repouso nesta vida.
  1. Quanto ao presente, eu não te darei mais nenhuns outros expedientes ou meios, porque se tu tens a graça de fazeres a experiência deles, eu estou convencido de que tu terás então e terás muito mais para me ensinares, do que eu a ti. Portanto era isso que era preciso; mas na verdade parece-me que eu ainda estou longe disso, de te ter ensinado em tudo e nada mais a aprender. E é por isso que, eu te peço, ajuda-me e age tanto por mim quanto por ti.
  2. Age, portanto, e trabalha no terreno, eu te peço; e toma e suporta com toda a humildade a tristeza e a pena, se acontecesse que tu não possas, com esses meios, triunfar imediatamente. Porque é na verdade o teu purgatório; e quando a tua pena tiver sido cumprida e passada completamente, e quando por Deus esses meios te tiverem sido dados, e pela graça entrado nos teus hábitos: então não fica nenhuma dúvida para mim de que tu serás purificado não apenas do pecado, mas também da pena do pecado. Eu esclareço bem: da pena particular ligada aos teus pecados pessoais e já cometidos, e não à pena do pecado original. Porque essa pesará sobre ti até ao dia da tua morte, ativo tanto quanto tu o sejas. Mas ela só te pesará pouco, em comparação com a pena particular dos teus pecados pessoais; portanto tu nunca serás dispensado de estar em grandes trabalhos. Porque desse pecado original vão nascer cada dia frescos e novos apelos do pecado, os quais tu terás cada dia que abater e combater sempre e cortar com golpes terríveis com a espada dupla e afiada da discrição. Com o que tu poderás ver e aprender que não há nenhuma quieta segurança, nem também nenhum verdadeiro repouso nesta vida.
  3. No entanto, daqui tu não voltarás para trás e também não te deixarás assustar pelo medo do insucesso ou da tua fraqueza. Porque se acontecesse que tu tivesses a graça e que tu pudesses destruir a pena das tuas próprias ações anteriores, na matéria que eu disse antes – ou ainda melhor se tu podes – bem certo fica tu de que a pena do pecado original, ou de outro modo os novos movimentos do pecado do futuro, não terão poder para te pesar e abater senão pouco.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 32



De dois expedientes espirituais, os quais serão úteis ao espiritual novo e iniciante na obra que diz este livro.
  1. Qualquer coisa sobre essas subtilezas, contudo, eu posso dar-te a minha opinião. Experimenta-as; e faz melhor, se te for possível fazer melhor. Portanto faz em ti, por forma que tu fiques como não sabendo que isso se passa tão rapidamente entre ti e o teu Deus. E procura ver, como se poderia dizer, por cima do ombro, procurando uma outra coisa: a qual outra coisa é Deus, encerrado na "nuvem de desconhecimento". E se tu fizeres assim, eu estou bem seguro que depois de um tempo bastante curto, tu te encontrarás bastante à vontade no teu trabalho. Porque eu creio bastante certamente que este expediente, por pouco que ele seja bem recebido, e verdadeiramente, não é outra coisa senão um impaciente desejo de Deus, um ardor para O ver e sentir tanto quanto se pode aqui; e um tal desejo é caridade, a qual sempre obtém satisfação e alívio.
  2. Um outro meio é este, que tu experimentarás se quiseres. Quando tu tiveres o sentimento de não poderes de nenhuma forma rebatê-los, então esconde-te debaixo do tapete como um frouxo e um cobarde vencido na batalha: imagina e pensa que não passa de loucura o quereres, tu, afrontá-los e lutar mais longamente, e com isso entrega-te a Deus nas mãos dos teus inimigos. E para ti, tem o sentimento de que tu perdeste para sempre. Tem grande cuidado com este meio, eu peço-te, porque para experimentá-lo, tu deverás, eu penso, todo inteiro desfazer-te em lágrimas. Porque ele muito seguramente, por pouco que ele seja verdadeiramente entendido e recebido, não é outra coisa senão o verdadeiro conhecimento e o sentimento verdadeiro daquilo que tu és em ti próprio: uma miserável e crassa criatura ainda pior do que nada; os quais sentimento e conhecimento são humildade. E essa humildade consegue que tu obtenhas que Deus Ele próprio, na Sua potência, venha e desça para te vingar dos teus inimigos, afim de te reerguer a ti próprio ao reconfortar-te e ao secar-te as lágrimas espirituais dos teus olhos: tal como o pai faz ao seu filho no momento de sucumbir na goela furiosa dos javalis ou dos ursos ferozes.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 31



Como um ser humano terá, no começo desta obra, que se guardar contra todos os pensamentos e apelos do pecado.
  1. E a partir desse momento, em que tu tiveres o sentimento de ter feito tudo em ti, segundo a regra, para te emendares ao julgamento da santa Igreja, então mete-te intrepidamente ao trabalho desta obra. E se acontecer que alguma das tuas ações anteriores se vem sempre intrometer na tua memória entre ti e o teu Deus, ou então qualquer pensamento novo, ou qualquer outra inclinação para o pecado, então resolutamente passa-lhes por cima, com um fervoroso impulso de amor, e espezinha-os com os teus pés. E depois esforça-te por os recobrir sob uma espessa "nuvem de esquecimento", tanto como se não tivessem nunca tido lugar nesta vida, nem vinda de ti nem de um outro ser humano qualquer que ele seja. E se frequentemente eles se levantam, igualmente frequentemente deita-os a baixo; em suma, de cada vez, cada vez. E se tu pensas que o trabalho é demasiado imenso, nada impede que tu recorras às artimanhas e aos estratagemas e às secretas subtilezas espirituais afim dos repelir e rejeitar: as quais subtilezas, te ensinará Deus pela experiência, muito melhor do que qualquer humano nesta vida.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulos 30 a 39


  1. A quem competiria censurar e condenar os defeitos dos outros
  2. Como um ser humano terá, no começo desta obra, que se guardar contra todos os pensamentos e apelos do pecado
  3. De dois expedientes espirituais, os quais serão úteis ao espiritual novo e iniciante na obra que diz este livro
  4. Que por esta obra uma alma é purificada de todo o conjunto dos seus pecados particulares e da pena deles; e que portanto não há perfeito repouso nesta vida
  5. Que Deus dá esta graça, não por vias mas livremente, e que não será possível chegar lá por nenhuma via
  6. De três vias às quais se deve empregar um aprendiz contemplativo: leitura, pensamento e oração
  7. Da meditação daqueles que estão no contínuo trabalho da obra que diz este livro
  8. Das orações particulares daqueles que estão no contínuo trabalho da obra que diz este livro
  9. Como e porquê esta curta oração penetra no céu
  10. Como rezará um perfeito operário da obra, e o que é nela própria a oração; e se alguém reza com palavras, que palavras se acordam melhor à índole da oração


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 30



A quem competiria censurar e condenar os defeitos dos outros.
  1. Mas por quem, eu te pergunto, serão julgadas as ações dos seres humanos?
  2. Por aqueles, muito certamente, que têm a responsabilidade das suas almas e têm o poder: quer seja abertamente pelo estatuto e a ordenança da santa Igreja, ou então secretamente e em espírito sob uma particular incitação do Espírito Santo na perfeita caridade. Que cada um, portanto, cuide de não pretender tomar sobre si o censurar e o condenar dos defeitos e faltas de nenhum outro ser humano, se não for com o sentimento de a isso ser chamado pelo Espírito Santo e no instante; porque de outra forma, ele poderia errar e enganar-se nos seus julgamentos com uma ligeireza completa. E é por isso que tu tem atenção: julga por ti próprio segundo o que tu sentes entre ti e o teu Deus ou o teu pai espiritual, e deixa que os outros cuidem deles próprios.


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Nuvem de Desconhecimento – Capítulo 29



Que o ser humano deve habitar fielmente no trabalho desta obra, suportando a pena e o sofrimento, e não julgar ninguém.
  1. Também acontece, que aquele que ambiciona chegar a esta pureza, a qual ele perdeu pelo pecado, e conquistar este salutar estado onde toda a pena está ausente, convêm-lhe que assiduamente habite o seu trabalho nesta obra e que sofra toda a pena dele, qualquer que ela seja, e quem quer que seja ele próprio: pecador endurecido ou não.
  2. Todos os seres humanos têm forte pena nesta obra: em conjunto todos os pecadores e os inocentes, os quais nunca pecaram gravemente. Mas bem maior pena aí encontram aqueles que foram previamente pecadores, do que aqueles que não o foram; e é uma grande justiça. Contudo, frequentemente acontece que aqueles que foram horríveis e endurecidos pecadores chegam no entanto mais cedo à perfeição da obra que os outros, que não o foram. E é este o milagre da misericórdia de nosso Senhor, o qual faz assim dom da Sua graça particular para espanto e estupefação deste mundo. Presentemente; mas no Dia do Julgamento isso será considerado justo, na verdade eu creio nisso, quando nós tivermos claramente a visão de Deus e dos Seus dons. Então certos, que hoje são vistos com desprezo como não sendo nada senão vulgares pecadores, e certos mesmo que talvez o sejam (vistos) como horríveis e endurecidos pecadores, estarão sentados visivelmente na Sua visão entre os santos; quando pelo contrário, outros daqueles que são hoje vistos como santos perfeitos e reverenciados pelos seres humanos igualmente como os anjos, e outros entre aqueles, talvez, que nunca pecaram mortalmente, serão muito lastimosamente metidos nos abismos do inferno.
  3. E por isso podes tu ver que nenhum ser humano não poderia ser julgado por outro ser humano nesta vida sobre o bem ou o mal que ele tivesse feito. Os atos, sim, podem ser legitimamente julgados, mas de forma nenhuma o ser humano enquanto bom ou mau.


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