Livro da Vida Perfeita – A vida nobre e verdadeira


  1. Lá onde estaria – lá onde está – um ser humano assim «santificado», lá está a vida melhor, a mais nobre e a mais digna de Deus que alguma vez existiu e que alguma vez existirá.
  2. O Amor eterno aí ama Deus como o Bem, e porque Ele é o Bem. Ele ama o melhor e o mais nobre em todas as coisas, porque ele é o Bem. E ele ama de tal forma a vida nobre e verdadeira que ele não a abandona e não a rejeita nunca mais.
  3. Quando esta vida está num ser humano, ele não pode mais abandoná-la, mesmo que ele tivesse de viver até ao Último Dia.
  4. Igualmente se ele tivesse que morrer de mil mortes e sofrer todo o sofrimento que se pode abater sobre as criaturas, ele preferiria sofrer tudo isso em vez de abandonar essa nobre vida.
  5. Ele não a abandonaria sequer mesmo pela vida dum anjo...

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Livro da Vida Perfeita – O sofrimento do pecado


  1. Deus, enquanto que Ele é Deus, não conhece nem sofrimento, nem aflição, nem infelicidade. No entanto Ele é afligido pelo pecado do ser humano.
  2. Isto não se pode produzir em Deus sem a criatura, e tem que portanto se produzir quando Deus é humano ou num ser humano santificado.
  3. Deus está então tão desgostoso e abatido pelo pecado que Ele aceitaria voluntariamente o ser atormentado ou o sofrer a morte corporal se Ele pudesse apagar com isso o pecado de um único ser humano.
  4. Se alguém lhe perguntasse se Ele preferia viver e que o pecado permanecesse, ou morrer e pela sua morte apagar o pecado, Ele escolheria a morte. Porque o pecado de um único ser humano é-lhe mais doloroso e cruel que os seus próprios tormentos e a sua própria morte.
  5. Se o pecado de um único ser humano lhe causa tanto mal, o que será do pecado de todos os seres humanos?
  6. Vê-se por isso quanto o ser humano aflige Deus com os seus pecados.
  7. Lá onde Deus é ser humano – ou num ser humano santificado -, não se deplora nada a não ser o pecado: não há outro sofrimento. Porque tudo o que é ou se produz sem pecado, Deus quer tê-lo e sê-lo.
  8. Mas as queixas e as lamentações por causa do pecado devem, por necessidade e por obrigação, permanecer num ser humano santificado até à sua morte corporal – mesmo que ele tivesse que viver eternamente ou até ao Último Dia.
  9. Daí vinham – e vêem – os sofrimentos secretos de Cristo de que ninguém fala e não sabe nada a não ser Cristo ele próprio. É por isso que eles são – e se lhes chama - «secretos».
  10. É ainda uma propriedade que Deus aprecia e que lhe agrada bastante no ser humano. Propriedade de Deus e não do ser humano, o qual não é capaz...
  11. Mas quando Deus consegue obtê-la no ser humano, ela é a mais amada e a mais digna d'Ele, porque também a mais amarga e a mais penosa para o ser humano.
  12. Tudo aquilo que se escreveu aqui desta propriedade de Deus – que Ele quer no entanto ver praticada e realizada no ser humano -, nos é ensinado pela luz verdadeira.
  13. Ela ensina também que o ser humano, no qual ela é praticada e realizada, lhe atribui tão pouco valor como se ela não existisse de todo. Fica-se a saber assim que o ser humano não é capaz dela e que ela não lhe pertence.

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Livro da Vida Perfeita – Todas as coisas têm o seu ser em Deus


  1. Quando se diz que «qualquer coisa é ou faz contra Deus», que «ela O aflige ou O ofende», é preciso saber que nenhuma criatura é «contra Deus».
  2. Nenhuma criatura O aflige ou O ofende porque ela é ou vive, porque ela sabe ou pode. Nada de tudo isso é contra Deus.
  3. Que o ser humano viva ou que o diabo exista, isso é muito bom e vem de Deus – porque Deus é a essência e a origem de tudo isso.
  4. Deus é o ser de todos os existentes, a vida de todos os viventes, a sabedoria de todos sábios.
  5. Todas as coisas têm o seu ser em Deus mais verdadeiramente que nelas próprias, e igualmente das faculdades delas, da vida delas, etc.
  6. Porque de outra forma Deus não seria todo o bem. E é por isso que tudo o que existe, é bom.
  7. O que é bom é amado por Deus e Ele o deseja. É por isso que não é contra Deus.
  8. «O que é que então é contra Deus e O aflige?»
  9. O pecado, e ele apenas !
  10. «Mas o que é o pecado?»
  11. A criatura quer diferente de Deus. Ela quer contra Deus e contra a vontade de Deus. O pecado não é nada mais que isto. Que cada um o observe em si próprio!
  12. Aquele que quer diferente de mim, ou que é contra mim, é meu inimigo. Aquele que quer como eu é meu amigo e é-me querido. É igual com Deus.
  13. Aquele que quer diferente de mim ou contra mim – o que quer que ele faça ou não faça, o que quer que ele diga ou não diga – é contra mim e é-me penoso. É igual com Deus.
  14. Aquele que quer diferente de Deus ou contra a vontade de Deus – o que quer que ele faça ou não faça, o que quer que ele tenha a realizar – é contra Deus e entrega-se ao pecado.
  15. A vontade que quer diferente de Deus está também contra a vontade de Deus: «Aquele que não está comigo, diz Cristo, está contra mim» (Mt 12, 30).
  16. O que quer dizer: «Aquele que não quer comigo, aquele que não tem uma única vontade comigo, esse quer contra mim.»
  17. Um ser humano pode observar com isto se ele está sem pecado ou não, se ele peca ou não, e o que é o pecado.
  18. Ele pode observar também como ou por quais meios se deve – e pode – repará-lo e corrigi-lo.
  19. Chama-se a essa vontade contrária a Deus «desobediência», «Adão», «eu», amor próprio, «vontade própria», «pecado» - ou também ainda o «homem velho», o «afastamento» e a «separação de Deus»: tudo isto é a mesma coisa.

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