Apresentação


O Galaaz do Carmelo

«A dicotomia do culto alvarino apresenta-se constante, revestida de cariz místico, como se uma das faces necessitasse da outra e vice-versa.

A lenda acentuou o conteúdo mítico e recriou o homem de armas no homem de alma. "Sem largar as contas da mão, levaria na outra a espada, guardada para servir nos desempenhos da Honra de Deus, sem que parecesse novidade cingi-la sob o hábito, porque o grande Elias, de quem era filho, lhe deixara este exemplo". É quanto se diz acerca do episódio da cruzada a Ceuta. Outros episódios se contam, dos quais se tende a extrair mais valia a favor do guerreiro.

O túmulo erguido ao fundador na capela-mor no Convento do Carmo, ao lado do túmulo de sua mãe, D. Eiria Gonçalves, compendia a paridade do varão ilustre.

De um lado, na face principal, a alegoria do monge, do outro, o guerreiro, "vivo, mancebo, coroado de flores, vestido de armas brancas, com cota de malha, cruz de seu brasão, manoplas, gravas e espaldar, espada à cinta, uma grande maça de ferro na mão direita, e com o morreão, e o seu penacho lançado aos pés". É a figura do "Conde Santo", Galaaz em demanda do Graal.

No jogo de ambas as alegorias, distinguimos o diferente do análogo. A diferença reside entre a pompa do cavaleiro em sua glória e a modéstia do monge em sua amada pobreza. A analogia reside na sequência das figuras - o cavaleiro andante das batalhas, por honra de El-Rei, é imitador de Elias. Conduz a guerra em defesa da honra de Deus, e continua cavaleiro, agora vestindo a samarra eliana, feito cavaleiro andante do Monte Carmelo.»

O Galaaz do Carmelo
S. Nuno de Santa Maria - Nuno Álvares Pereira
J. Pinharanda Gomes

8 de Dezembro de 2009
Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria
Padroeira principal de Portugal



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